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Beatles 68:
As Outras Cores do Álbum Branco
Faixa-a-Faixa

Por Marcelo Fróes,
Diretor Artístico & Produtor Executivo

Vinte e uma grandes estrelas gravam as outras canções que os Beatles fizeram na fase do lendário “Álbum Branco”, incluindo um primeiro registro em disco de uma canção inédita de George Harrison composta na Índia



01) Revolution
Lobão

A primeira versão a ser lançada pelos Beatles foi esta, mais roqueira, no lado B do compacto “Hey Jude” - três meses antes do “Álbum Branco” ser finalmente lançado em 22 de novembro de 1968, contendo uma versão mais lenta intitulada “Revolution 1”. Quando estávamos com dificuldade de encontrar quem fizesse uma leitura coerente de toda aquela incoerência de “Revolution 9”, procurei Lobão para ver se ele topava transformar aquilo em alguma coisa. Pra encurtar, ele sugeriu fazer “Revolution” e o fez muito bem. Começou a gravar em seu estúdio no Rio no início de 2008, ficou um bom tempo aguardando a chance de gravar a bateria em estúdio e, no final, acabou regravando tudo quando mudou-se para São Paulo e lá montou um estúdio caseiro com mais recursos. Pelo que ele me contou, foi a primeira vez que tocou todos os instrumentos, mixou e aprontou tudo. O resultado é muito bom e eu levava tanta fé que desde antes de ouvir já tinha em mente que seria a faixa de abertura deste CD “extra” do projeto “Álbum Branco”. Acho que comentei com ele, e por isso ele entra quebrando tudo com mais vontade ainda.

02) Sour Milk Sea
Paulo Ricardo

Composta na Índia por George Harrison e até ensaiada pelos Beatles em maio de 1968, acabou sendo gravada em disco pelo cantor Jackie Lomax - um amigo dos Beatles de Liverpool e contratado pela Apple Records. Na gravação de Lomax tocaram George (também produtor da faixa), Paul McCartney e Ringo Starr; no lugar de John Lennon, pro artista não ter todos os Beatles na base, ninguém menos que Eric Clapton. Para a nossa versão, teria que ser algo bem vigoroso e não foi difícil imaginar que Paulo Ricardo poderia fazer algo muito bom. Ao procurá-lo com a idéia em fevereiro, ele imediatamente topou e dois meses depois entregou-me a gravação. Como bom fã dos Beatles, ele já conhecia a canção. Foi só mandar um MP3 para ele refrescar e estudar.

03) Badge
Ramirez

Composta por George Harrison em parceria por Eric Clapton em 1968, foi gravada pela banda Cream - formada por Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker. A gravação saiu no início de 1969 no último álbum do trio, “Goodbye”, mas por ser da safra de 1968 merecia estar neste projeto. Conheci a banda carioca Ramirez no mesmo dia em que conheci o produtor Clemente, no estúdio Corredor 5 no Leblon. Naquele dia do final de 2007, os rapazes demonstraram interesse em participar do projeto “Álbum Branco”, mas o mesmo já estava bem encaminhado em termos de repertório. Não muitos dias depois, bateu a idéia de fazer o disco “extra” com as outras canções de 1968 e eu imediatamente lembrei de convidar o Ramirez para fazer “Badge”.

04) Not Guilty
Alvin L

Composta por George Harrison em 1968, chegou a ser gravada pelos Beatles para o “Álbum Branco” mas, apesar das inúmeras tentativas, acabou ficando de fora. Dez anos depois George Harrison a regravou e finalmente lançou num álbum solo, enquanto que a versão final dos Beatles finalmente saiu no terceiro volume da trilogia “Anthology” em 1996. Quando o projeto “Álbum Branco” foi criado em outubro de 2007, Alvin L foi um dos primeiros amigos a reservarem faixa no Orkut e, como já estávamos pensando no disco “extra” ele imediatamente escolheu “Not Guilty”. Embora eu temesse que ele fosse ouvir a versão que George fizera no álbum solo de 1979, ele me surpreendeu e como bom beatlemaníaco estudou a versão original incluída em “Anthology”. Sua versão foi gravada ainda em 2007, com amigos do quilate de Leoni (baixo) e Gustavo Corsi (guitarra) na base.

05) What's The New Mary Jane
Branco Mello

Composta por John Lennon na Índia em 1968, chegou a ser ensaiada pelos Beatles em maio de 1968 e depois gravada em estúdio por John, Yoko Ono e George Harrison. Ficou de fora do “Álbum Branco”, quase virou um single solo de Lennon e por fim só viu a luz do dia no terceiro volume da trilogia “Anthology” em 1996. Esta canção tinha tudo para ser um problema, em termos de repertório, tanto quanto “Revolution 9”. A princípio, talvez ninguém quisesse fazer. Por algum motivo, acho que desde sempre achei que Branco Mello poderia fazer um bom registro. Nós tínhamos um certo contato nos últimos anos, já que os Titãs haviam gravado uma canção inédita de Renato Russo no projeto “Celebração” (2005) e eu havia ajudado um pouco na trilha sonora de “A Grande Família”, por ele produzida em 2006. Quando o procurei sugerindo que gravasse essa canção esquisita de John Lennon, ele achou interessante mas preocupou-se por ouvir e ver se curtiria. Acho que curtiu, porque imediatamente declarou interesse. O problema era agenda, mas - após diversos meses de telefonemas interurbanos - o Branco entrou em estúdio em setembro e nos enviou a mix final às vésperas da masterização do disco. Ficou perfeita.

06) Cosmically Conscious
Alexandre Crof

Composta por Paul McCartney na Índia em 1968, foi um segredo muito bem guardado por décadas. Ele só gravou e lançou a canção num disco solo em 1993, quando anunciou que era uma relíquia da viagem à Índia. Chamei o jovem Alexandre Crof de sopetão, quando fui apresentado ao seu trabalho por Rodrigo Sabatinelli em meados de 2008. Ele gravou rapidamente e mandou. O resultado é muito bom, me lembra um pouco “Right Here, Right Now” do Jesus Jones nem sei por que.

07) Dehra Dun
Zé Ramalho

Canção inédita de George Harrison, composta na Índia em 1968 e que nunca foi propriamente gravada - nem pelo próprio autor. Em 1969 George chegou a registrar uma demo em estúdio, que nos permitiu conhecer a íntegra da canção que só foi efetivamente anunciada como existente pelo próprio George, durante depoimento à série de TV “Anthology” em 1995. O disco “extra” nasceu quando, em reunião na Coqueiro Verde, concluímos que o primeiro “Álbum Branco” deveria ser fiel ao original, com apenas as 30 faixas originais. Concluímos que aquelas faixas extras que eu vinha trabalhando deveriam compor um disco extra, então as 10 faixas logo puderam ser ampliadas. Passei a fuçar mais o catálogo de canções de 1968 e puxei até canções que inicialmente não estavam, como “Lady Madonna”, “The Inner Light”, “Hey Bulldog” e “Across The Universe”. “Dehra Dun” era uma canção realmente inédita, mas como - para ser incluída na breve versão de voz e violão de George no DVD “Anthology” - teve que ser editada mundialmente, eu acabei descobrindo que a canção estava editada no Brasil pela Fermata e poderia ser gravada. Comentei sobre isso com Zé Ramalho, profundo fã dos Beatles, simpático às nossas causas e com George Harrison como seu “beatle predileto”. Tinha que ser ele, e com o amigo Robertinho de Recife na produção, ele gravou no início de setembro de 2008 e me entregou a master na noite de lançamento do projeto “Álbum Branco” na Livraria Letras & Expressões.

08) Jealous Guy
Biquíni Cavadão

Composta originalmente como “Child Of Nature” por John Lennon, na Índia em 1968, chegou a ser ensaiada pelos Beatles em maio de 1968 mas nunca chegou ao Álbum Branco. Três anos depois ele refez a letra e a lançou como “Jealous Guy” em seu lendário LP solo Imagine. Quando convidei o Biquíni Cavadão para participar do projeto no início dos trabalhos, eles demoraram um pouco para responder e, quando finalmente puderam confirmar a participação, o repertório do disco principal já estava tomado. Havia estas canções “extras”, e eu ofereci “Jealous Guy”. Bruno queria gravar “Lady Madonna”, mas naquela época ela ainda não fazia parte do repertório pois estávamos trabalhando apenas com 10 faixas extras da fase “Álbum Branco” (antes delas tomarem forma para um CD “extra”, e que é este “As Outras Cores...”, com tudo que eles fizeram no ano de 1968). Bruno e Coelho gravaram sozinhos, e chamaram o multi-instrumentista Milton Guedes para o solo de assobio.

09) Circles
Marcelo Costa Santos

Composta por George Harrison na Índia em 1968, chegou a ser esboçada durante os ensaios que antecederam ao início da gravação do Álbum Branco. Mas ficou para trás e só foi efetivamente gravada no LP solo de George Harrison de 1982, “Gone Troppo”. Eu conhecia o cantor Marcelo Costa Santos através de Elias Nogueira já há alguns anos, e sempre soube que ele tinha uma versão em português para “Circles” informalmente aprovada por George Harrison nos anos 90. Ele havia conhecido e freqüentado a casa de George por conta do amigo em comum Jim Capaldi, vizinho de George e casado com uma brasileira. Quando o projeto “Álbum Branco” começou a tomar forma, eu resolvi convidar Marcelo para cantar uma versão em inglês e ele topou. Ele gravou com os irmãos Mu e Dadi, da Cor do Som, e uma mixagem alternativa - com vocal em português - deverá sair em seu próximo CD. A nossa mix, com o vocal em inglês, foi gentilmente preparada pelo guitarrista Márcio Biaso, da banda Reverse, em seu estúdio Atemporal.

10) Junk
Regina Machado

Composta por Paul McCartney na Índia, também chegou a ser ensaiada para o Álbum Branco mas ficou de fora. Foi finalmente gravada por Paul em seu primeiro LP solo, lançado em 1970. Quando pensamos nas extras para o “Álbum Branco”, eu lembrei que havia uma versão recente por uma cantora de São Paulo - cujo CD eu até já tinha em casa. Procurei Regina Machado e ela topou licenciar seu fonograma de 2004, que dispensava regravação. Regina é uma grande intérprete e merece ser mais conhecida nacionalmente.

11) Look At Me
Paulinho Moska

Composta por John Lennon em 1968, é uma canção irmã de “Julia” e por isso ficou guardada. Em 1970 ele a gravou para seu LP solo “Plastic Ono Band” e em 2000, quando eu idealizei e co-produzi o tributo a Lennon com Celso Fonseca, tive a idéia de convidar Zélia Duncan para gravá-la. Eu achava que seria perfeito, mas ela estava com a agenda cheia. Passados alguns meses, e como o projeto ainda não estava pronto, em 2001 eu encontrei e renovei o convite - mostrando a gravação de Lennon. Ela entendeu que realmente tinha tudo a ver e topou gravar. Passados 7 anos, como a canção faz parte do repertório de “extras” do Álbum Branco, seria chover no molhado convidá-la para gravar novamente. Mas aí, pensando bem, concluí que “Look At Me” era tão perfeita para Paulinho Moska quanto havia sido para Zélia. E ele topou gravar e o fez sozinho, em seu estúdio.

12) Step Inside Love
Zélia Duncan

Composta por Paul McCartney, foi gravada pela cantora e apresentadora de TV Cilla Black no início de 1968 - com arranjo e produção de George Martin. Meses depois Paul chegou a gravar para o Álbum Branco, mas ficou arquivada e acabou se tornando uma daquelas conhecidas somente na voz de outro intérprete. Quando “Step Inside Love” entrou na minha listas de extras logo no início do projeto “Álbum Branco”, convidei Zélia Duncan para cantá-la. Ela preferia cantar “Julia”, mas a canção já fora reservada por Celso Fonseca. Agenda cheia, muitos compromissos, meses depois procurei novamente Zélia e enviei-lhe um MP3 de “Step Inside Love”. Zélia apaixonou-se pela canção de Paul e resolveu fazê-la no melhor voz e violão, convocando para acompanhá-la o guitarrista Walter Villaça. Foi uma rápida sessão no estúdio Corredor 5 em março de 2008.

13) Assum Preto
Vasco Fae

Em 1968, os Beatles lançaram uma canção chamada “The Inner Light” no lado B de um compacto. O tema indiano de George Harrison tinha uma levada totalmente nordestina e, como apareceu também uma foto de John Lennon tocando sanfona, não demorou muito e algum colunista musical sugeriu que os Beatles gravariam Luiz Gonzaga em seu próximo LP. A versão de “Assum Preto” que incluímos como curiosidade neste projeto é auto-explicativa, em termos musicais, mas historicamente aconteceu quase por acaso. Na noite em que estava gravando “Helter Skelter” com a banda de Andreas Kisser no estúdio de Sérgio Reis em São Paulo, num dos intervalos o cantor Vasco Faé (Irmandade do Blues etc) estava na varanda batendo papo com os técnicos e visitantes. Puxou um violão e começou a tocar “Blackbird” mas ao cantar o que ouvimos foi “Assum Preto”. Sem saber muito como aproveitar isso, imediatamente o convoquei para gravar aquilo no estúdio. E assim foi feito, naquela madrugada, com voz e violão e uma gaita em overdub.

14) Across The Universe
Raimundo Fagner

Gravada pelos Beatles em fevereiro de 1968, às vésperas da viagem para a Índia, esta canção de John Lennon só saiu no ano seguinte - num disco beneficente na Inglaterra. E, claro, com nova roupagem, no LP “Let It Be” de 1970. Em meados de 2008, quando me toquei de que as faixas extras do “Álbum Branco”, compiladas num CD extra sozinhas, seriam um desperdício se apenas 10 ou 12, aos poucos fui listando e aumentando o repertório daquele ano de 1968. Com alguns telefonemas, convidei mais alguns amigos para gravar com uma relativa urgência. Raimundo Fagner, fã dos Beatles e especialmente de John Lennon e George Harrison, respondeu prontamente ao chamado. No início do projeto, ele estava com a agenda tomada, mas agora já estava em condições. Queria porque queria fazer “Lady Madonna” com o Roupa Nova acompanhando, mas como a banda estava envolvida em muitos compromissos e tão cedo não poderia gravar, acabei convencendo o cantor de que seria melhor fazer esta outra canção daquela fase inicial de 1968. Fagner gravou “Across The Universe” com jovens músicos de Fortaleza e, ao longo de semanas entre julho e setembro de 2008, trocamos muitos torpedos de celular. Ele demorou a ficar satisfeito com a mixagem e detalhes vocais, o que contribuiu para que sua versão ficasse cada vez melhor. Para muitos que ouviram até agora, é uma das faixas mais legais do disco e eu curti muito as sutis citações de “Two Of Us” no início e de “Norwegian Wood” no final.

15) The Inner Light
Isabella Taviani

Gravada por seu autor George Harrison, com acompanhamento de músicos indianos num estúdio em Bombaim no início de 1968, foi lançada no lado B do compacto “Lady Madonna” enquanto os Beatles faziam o curso de meditação transcedental na Índia. Com a ampliação do repertório do disco extra, esta canção tornou-se obrigatória e, com sua levada nordestina, poderia render uma bela versão por brasileiro. Achei que uma mulher poderia fazer uma boa versão e lembrei-me de Isabella Taviani, que em 2005 havia aceito a minha sugestão de cantar “Vinte e Nove” na “Celebração” de Renato Russo. Foi uma ótima opção, até porque ela me surpreendeu com sua leitura. Embora a versão original indiana de George Harrison tenha um pé fortíssimo no nordeste brasileiro (quem conhece sabe), Isabella e seus músicos tomaram outro rumo e é uma das faixas mais surpreendentes do projeto.

16) Lady Madonna
A Bolha

Um rock de Paul McCartney, gravado pelos Beatles em fevereiro de 1968 e lançado como compacto enquanto os rapazes estavam na Índia. Quando o projeto começou ainda em 2007, procurei Renato Ladeira no Orkut - relembrando que The Bubbles (pré-história de A Bolha) havia gravado um compacto não lançado pela Polydor em 1969, com duas canções do Álbum Branco (Ob-la-di Ob-la-da e Honey Pie). A banda não pôde participar do projeto naquele momento, mas - quando procurei Renato novamente em meados de 2008 - eles resolveram participar do disco extra e toparam fazer “Lady Madonna”. O resultado ficou muito bom, eles criaram um arranjo muito deles e ouvir Renato cantando em inglês me fez lembrar Brian Wilson.

17) Hey Bulldog
O Salto

Rock de John Lennon gravado na mesma série de sessões de Lady Madonna em fevereiro de 1968, ficou guardado por alguns meses e acabou na trilha do desenho animado Yellow Submarine ainda naquele ano. A sugestão de O Salto para o projeto me foi passada pela jornalista Carla Machado, ainda no início do projeto Álbum Branco, quando o repertório já fora todo tomado. Mas, quando optamos por engordar o disco extra, eu lembrei do Salto e Carlinha incumbiu-se de me apresentar virtualmente aos rapazes. Eles gravaram e mandaram, ficou muito bom.

18) Hey Jude
Aerocirco

O grande clássico dos Beatles de 1968, composto por Paul McCartney e lançado em compacto no início do segundo semestre daquele ano - poucos meses antes do lançamento do Álbum Branco. A banda catarinense Aerocirco apresentou-se logo nos inícios dos trabalhos no projeto “Álbum Branco”, quando Hey Jude naturalmente já era uma das canções extras obrigatórias. Hey Jude para mim é uma canção ingrata, como são Imagine e Yesterday, dentre outras, mas o Aerocirco conseguiu fazer algo realmente bacana - a começar pela introdução e pelo timbre vocal.

19) Singalong Junk
Jullie

Versão instrumental para Junk, de Paul McCartney, também ensaiada pelos Beatles em maio de 1968 mas nunca aproveitada no Álbum Branco. Paul também a gravou para seu primeiro álbum solo em 1970. Como já tínhamos a versão de “Junk” com Regina Machado no projeto, ao conhecer Jullie através do jornalista amigo Rodrigo Sabatinelli, senti que seria perfeita para fazer uma versão cantarolada de “Singalong Junk” - um diferencial para a versão instrumental de Paul, e sem encher lingüiça no repertório. Jullie canta muito e fez todos os canais de voz, em gravação com arranjo e produção do experiente Ary Sperling, realizada no estúdio da gravadora Deckdisc, que lançará seu CD de estréia em 2009. Aproveitei a ocasião, e abusei da boa vontade de João Augusto e de Rafael Ramos, para pedir que Jullie aproveitasse as sessões para fazer um canal de voz cantando “Junk”. Desta forma, uma outra mix foi feita e Jullie canta “Junk” num CD de cantoras interpretando músicas de Paul McCartney que lancei por Discobertas/Coqueiro Verde em outubro último, antes mesmo deste “As Outras Cores”.

20) Thingumybob
Victor Biglione

Tema instrumental feito por Paul McCartney e gravado por uma orquestra inglesa em 1968. Chegou a ser gravada também pela orquestra de George Martin, arranjador e produtor dos Beatles. Mas é efetivamente a mais obscura das canções oficialmente creditadas à dupla Lennon-McCartney e entrou para o repertório deste CD num dos últimos momentos de completismo. O amigo Elias Nogueira comentou sobre o interesse de Victor Biglione pelo nosso projeto e eu me perguntei se não haveria algo instrumental para ele gravar. E lá estava “Thingumybob”, num registro obscuro da Apple. Se ouvir a maravilha feita por Biglione, Paul McCartney haverá de concordar que é a melhor versão deste seu tema - também já gravado pela orquestra de George Martin décadas atrás.

21) Pepperland
Robertinho de Recife

Tema de abertura da trilha sonora do desenho animado Yellow Submarine, composto por George Martin e gravado com orquestra logo após o término das sessões do Álbum Branco em outubro de 1968. A trilha incidental do filme, toda composta por Martin, ocuparia todo o lado 2 do LP Yellow Submarine em 1969. Resolvi puxar esta canção para fechar o disco com chave de ouro, seguindo a faixa instrumental de Victor Biglione, afinal a trilha de Yellow Submarine foi preparada em 1968 e este tema de George Martin tem tudo a ver com aquela fase e também com o Brasil. Foi graças a esta gravação de Robertinho de Recife, feita em 1990, que eu me aproximei de Robertinho em 1992, incumbido de conseguir um CD para enviar para George Martin. O velho maestro se surpreendera com minha informação sobre uma versão brasileira na trilha sonora de uma telenovela (Pantanal) e me pedira para conseguir-lhe o CD, que àquela altura já estava fora de catálogo. Conheci Robertinho, consegui o CD e, para encurtar a história, um ano depois George Martin estava no Brasil para um concerto ao ar livre com orquestra, coral e banda sob a direção musical de Robertinho. Destino.

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