Álbum Branco
Artistas Brasileiros cantam o White Album dos Beatles

A paixão do brasileiro pela música dos Beatles já rendeu muitos projetos musicais ao longo destas quase 5 décadas que a beatlemania nacional atravessou. Começando, naturalmente, pelas mais de 200 gravações por artistas brasileiros na época da chamada “Jovem Guarda”. Curiosamente, a fase mais aproveitada do repertório dos rapazes de Liverpool é aquela conhecida como “pré-Sgt. Pepper”, ou seja, o iê iê iê inocente e simples que embalava as versões tupiniquins. Depois de 1967, a coisa reduziu bastante. Mas, por outro lado, se foi ouvindo “Strawberry Fields Forever”, que Gilberto Gil idealizou a estrutura sonora da Tropicália e foi atrás de seu sonho, juntando Mutantes com Rogério Duprat, como haviam sido os Beatles com George Martin, então continuamos ganhando bastante.
O “Álbum Branco” de 1968, lançado no Brasil já no início de 1969, foi talvez o disco menos difundido por aqui. Afora o sucesso radiofônico “Ob-la-di, Ob-la-da”, regravado até pelos Fevers, pouco se ouviu falar. De qualquer forma, a importância deste disco foi logo reconhecida pela revista Realidade, que convidou nomes como Caetano Veloso e até Carlos Drummond de Andrade para traduzirem algumas letras. E era natural. Os Beatles haviam mudado bastante. Como se já não bastasse a revolução de “Sgt. Pepper” no “Verão do Amor”, em 1967, os rapazes haviam perdido o empresário e conhecido o guru indiano Maharishi Maheshi Yogi. O lendário repertório de 30 canções do “Álbum Branco” teria, então, sido composto durante um período de 45 dias em Rishikesh, na Índia, onde os Beatles fizeram um curso de meditação transcendental com o tal guru. Muitas histórias e lendas nasceram daí, além de boa parte daquelas canções.
O “Álbum Branco” marca o início da separação dos Beatles. Trinta faixas espalhadas num álbum duplo; quatro faces de disco que revelavam as facetas dos quatro diferentes lados daquele círculo vicioso e viciado. É considerado o melhor disco da banda, o mais eclético e o mais autêntico. A liberdade foi tamanha, que os Beatles monopolizaram o complexo de estúdios da Abbey Road e o produtor George Martin, atordoado, tirou férias no meio das gravações e “deixou os rapazes à vontade”. O disco foi gravado entre maio e outubro de 1968, ocasião em que mais e mais canções foram compostas e outras, inclusive do repertório da Índia, foram ficando de fora ou sendo entregues a amigos.
Um ano antes da comemoração dos 40 anos do “Álbum Branco”, exatamente em outubro de 2007, eu conversava pelo MSN com meu amigo Guto Ribeiro, baixista da banda Manfred, sobre projetos de música viabilizados pela Internet. Lembrávamos dos tributos que haviam sido feitos ao LP “Sgt. Pepper” mundo afora e também das homenagens virtuais a Erasmo Carlos e Ronnie Von, dentre outros. Ele sugeriu: “Que tal um pro ´Álbum Branco` pra 2008?” A princípio, achei loucura, afinal é um disco de 30 faixas e seria uma missão impossível encontrar bons intérpretes para todas aquelas faixas. Com o passar das horas, o desafio se instalou e resolvemos tocar o lance pelo Orkut. Sem exagero: a “comunidade” do projeto foi criada no dia 16 de outubro e, três dias depois, o repertório já estava todo tomado. Partimos para uma “segunda versão” e amigos ilustres começaram a aparecer ou a serem contactados e convidados. Outras idéias foram surgindo e vocês as conhecerão ainda em 2008.
Em suma, este “Álbum Branco” é mais uma prova do amor do brasileiro não só pela música dos Beatles, mas pela música em geral. É a prova de que, com boa vontade e organização, pode-se ir muito longe nos sonhos. O projeto “Álbum Branco” cresceu e rendeu muitos frutos; todas as canções foram gravadas por grandes nomes e também por bandas independentes, tudo com muita competência e profissionalismo. Ao longo dos próximos meses, até a data oficial do lançamento do “White Álbum” original, ocorrido exatamente a 22 de novembro de 1968, estaremos trazendo ao público muitas surpresas em torno do fantástico repertório que os Beatles criaram naquele revolucionário ano de 1968. Há 40 anos.
Marcelo Fróes
Agosto, 2008
CD 1
01 - Back In The USSR - Rodrigo Santos & George Israel
02 - Dear Prudence - Zé Ramalho
03 - Glass Onion - Cachorro Grande
04 - Ob-la-di, Ob-la-da - Os Britos
05 - Wild Honey Pie - Bacalhau (dos Autoramas)
06 - The Continuing Story Of Bungalow Bill - Daniel Tendler
07 - While My Guitar Gently Weeps - Manfred
08 - Happiness Is a Warm Gun - MarthaV & Mariana Davies
09 - Martha My Dear - Márcio Greyck
10 - I´m So Tired - Dissonantes
11 - Blackbird - Sylvinha Araújo
12 - Piggies - Twiggy & Andreas Kisser's Lostapes
13 - Rocky Raccoon - Carmem Manfredini
14 - Don't Pass Me By - Ayrton Mugnaini Jr.
15 - Why Don't We Do It In The Road - Surfadelica
16 - I Will - Erika Martins
17 - Julia - Celso Fonseca
CD 2
01 - Birthday - Pato Fu
02 - Yer Blues - Sérgio Vid & Big Gilson
03 - Mother Nature's Son - Reino Fungi
04 - Everybody´s Got Something To Hide - Dr. Sin
05 - Sexy Sadie - Metalmorphose
06 - Helter Skelter - Andreas Kisser's Lostapes
07 - Long Long Long - Milke
08 - Revolution 1 - Tantra
09 - Honey Pie - Flávio Venturinni & Aggeu Marques
10 - Savoy Truffle - Os Canibais com Renato Rocha (dos Detonautas)
11 - Cry Baby Cry - Autoramas
12 - Revolution 9 - Rogério Skylab
13 - Good Night - Jerry Adriani & Tantra