Uma Maçã é uma Maçã,
é uma Maçã

Carlos Edu ®

Para gnomos teria que ser uma ervilha, mas para nós, beatle-humanos, tinha que ser uma maçã. Verde. Vermelha. Amarela. Um farol, um sinaleiro, um semáforo controlando o trânsito das nossas percepções sobre frutas, músicas e besouros.

Uma maçã é uma maçã é uma maçã. E ela começou tudo. No paraíso fez de Adão o primeiro palhaço terreno, na exposição de Yoko fez John levar um pito ao abocanhá-la, na cabeça de garotos fez a fama de Guilherme Tell. No quadro de Paul ela o encantou.

Uma maçã é uma maçã, é uma maçã.

Ela tem o 'eme' de Magritte e também o de Matisse, além do 'eme' de morte, que pensa que já levou John e George...

Delícia olharmos para nossos elepês tão conservados, onde a maçã representa dias maravilhosos em que ficamos vendo-a rodar nas nossas eletrolas dos anos sessenta, setenta e oitenta, rescendendo o seu aroma único e inimitável de Beatles.

Felizes os que colocaram uma maçã no prato do toca-discos e mataram a sua fome de música.

Felizes os que foram convidados para o banquete da Beatlemania, onde a maçã jamais apodreceu e gerou, incansável, frutos maravilhosos na vozes de John, Paul, George e Ringo.

E a maçã nos alimenta até hoje; e pulsa sua seiva incrível a contagiar novos corações.

Uma maçã é uma maçã.
Quem, além de beatlemaníacos, sabe tanto sobre ela?